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No Competition Infinity firma acordo para conectar China, África e Oriente Médio

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Manuel Zau Polo, CEO da No Competition Infinity Gaming Development Services L.L.C.

Liderada pelo empresário angolano Manuel Zau Polo, a companhia firma parceria estratégica com a Jiangsu Yunmu Intelligent Manufacturing Technology Co., Ltd. para desenvolver uma operação que poderá alcançar 10 mil robôs e levar inteligência artificial, simulação e automação para setores da economia real

Há poucos anos, imaginar robôs humanoides trabalhando em hotéis, canteiros de obras, instituições de ensino ou operações industriais ainda parecia pertencer a um futuro distante. O avanço simultâneo da inteligência artificial, da manufatura avançada, dos gêmeos digitais e dos sistemas autônomos, entretanto, começa a transformar essa possibilidade em uma nova fronteira econômica.

É nesse cenário que a No Competition Infinity Gaming Development Services L.L.C., liderada pelo empresário angolano Manuel Zau Polo, inicia uma de suas mais ambiciosas etapas de expansão.

A companhia firmou um acordo de cooperação de cinco anos com a chinesa Jiangsu Yunmu Intelligent Manufacturing Technology Co., Ltd., voltado ao desenvolvimento, implementação e expansão internacional de soluções tecnológicas envolvendo robótica, inteligência artificial e ambientes de simulação.

A previsão é que a operação possa alcançar até 10 mil robôs ao longo do período contratual.

Mais do que a dimensão numérica, porém, o projeto chama atenção por sua arquitetura geográfica e empresarial: conectar capacidade tecnológica e industrial desenvolvida na China a oportunidades de implementação principalmente na África e no Oriente Médio.

Quando o virtual começa a operar o mundo físico

A entrada da No Competition Infinity em uma operação envolvendo robótica pode parecer, inicialmente, uma mudança de direção para uma companhia cuja trajetória está relacionada aos games e aos ambientes digitais.

Na prática, representa uma extensão desse universo. Durante décadas, a indústria dos games desenvolveu ferramentas capazes de construir ambientes tridimensionais, reproduzir movimentos, simular comportamentos e permitir interações complexas em tempo real.

Hoje, parte dessa infraestrutura tecnológica ultrapassou a indústria do entretenimento.

Motores gráficos, inteligência artificial, realidade virtual, simulação e ambientes tridimensionais passaram a encontrar aplicações em engenharia, arquitetura, logística, treinamento profissional, indústria e automação.

Os chamados gêmeos digitais aprofundam essa transformação.

Fábricas, edifícios, equipamentos e até operações inteiras podem ganhar representações digitais capazes de reproduzir determinadas condições do mundo físico. Antes que uma máquina execute uma tarefa real, diferentes situações podem ser simuladas, analisadas e aperfeiçoadas virtualmente.

A robótica acrescenta a etapa seguinte dessa evolução: permitir que sistemas desenvolvidos e treinados no ambiente digital passem a interagir diretamente com o espaço físico.

É justamente nessa convergência que a No Competition Infinity pretende ampliar sua atuação.

Cinco anos e uma operação de até 10 mil robôs

O acordo estabelecido entre as duas companhias possui horizonte de cinco anos e prevê uma operação que poderá chegar a 10 mil unidades.

A implementação deverá ocorrer progressivamente, passando pela avaliação das tecnologias, desenvolvimento de soluções, projetos-piloto, adaptação às necessidades de diferentes mercados e, posteriormente, expansão.

A dimensão pretendida coloca uma questão importante no centro do projeto.

A próxima grande disputa da indústria de robótica não será apenas tecnológica. Será econômica. Para deixarem definitivamente os ambientes controlados de demonstração e se tornarem parte de uma indústria global, sistemas robóticos precisarão provar que conseguem executar tarefas úteis, operar com segurança, elevar produtividade e gerar retorno financeiro.

Construção civil, hotelaria, educação, alimentação e diferentes segmentos de serviços estão entre os setores considerados dentro dessa nova frente.

Em canteiros de obras, por exemplo, soluções robóticas poderão futuramente auxiliar em tarefas repetitivas, inspeções, movimentação de determinados materiais e suporte operacional.

Na hotelaria, sistemas autônomos podem ser incorporados a atividades de transporte interno, orientação e apoio a determinadas operações.

Na educação, surge outra possibilidade: transformar a própria robótica em instrumento de formação de uma nova geração de programadores, engenheiros, técnicos e especialistas em inteligência artificial.

Uma ponte tecnológica entre três regiões

A geografia do acordo é um dos seus elementos estratégicos. A China consolidou-se como um dos grandes centros mundiais de manufatura e vem ampliando sua presença em setores considerados fundamentais para a próxima etapa da economia global, entre eles inteligência artificial, veículos elétricos, automação e robótica.

Mas produzir tecnologia em escala representa apenas uma parte da equação.

A outra está em encontrar mercados capazes de transformá-la em aplicações economicamente viáveis. África e Oriente Médio surgem como duas regiões particularmente relevantes nesse processo.

O continente africano combina crescimento urbano, uma população jovem e demandas significativas relacionadas à infraestrutura, logística, educação, produtividade e industrialização.

O Oriente Médio, por sua vez, tornou-se um dos grandes laboratórios globais de transformação econômica, com investimentos em inteligência artificial, cidades inteligentes, automação e diversificação industrial.

É entre essas três regiões que Manuel Zau Polo pretende posicionar a No Competition Infinity.

De um lado, capacidade industrial e desenvolvimento tecnológico. Do outro, mercados em transformação e novas demandas por produtividade e infraestrutura.

A companhia pretende atuar justamente na construção dessa ponte.

“Nosso objetivo é conectar capacidade tecnológica e industrial a mercados onde existe demanda concreta por produtividade e infraestrutura. Especialmente na África, acreditamos que a chegada dessas tecnologias precisa estar acompanhada de formação e transferência de conhecimento, para que os países também desenvolvam capacidade local”, afirma Manuel Zau Polo.

Para a África, o desafio vai além de importar tecnologia

Para Manuel Zau Polo, nascido em Angola, a expansão dessas tecnologias para mercados africanos também carrega uma dimensão estratégica.

Historicamente, grande parte das relações econômicas entre países africanos e grandes potências internacionais esteve associada à exploração e comercialização de recursos naturais e matérias-primas.

A nova economia tecnológica abre espaço para uma relação diferente, baseada também em conhecimento, formação profissional, inovação e capacidade produtiva. Existe, porém, uma diferença fundamental entre importar máquinas e desenvolver um ecossistema tecnológico.

Robótica e inteligência artificial dificilmente produzirão transformação econômica estrutural se sua implantação não vier acompanhada da formação de engenheiros, técnicos, programadores, operadores e empreendedores capazes de compreender, manter e desenvolver essas tecnologias.

Por isso, capacitação e transferência de conhecimento ocupam uma posição importante na tese construída em torno da parceria.

Em um continente cuja população economicamente ativa deverá exercer influência crescente sobre a economia mundial nas próximas décadas, desenvolver capital humano poderá ser tão relevante quanto introduzir as próprias máquinas.

Uma empresa de games olhando além dos games

A aproximação com a robótica não representa necessariamente um afastamento das origens digitais da No Competition Infinity.

Representa uma ampliação. Ambientes virtuais podem funcionar como laboratórios. Sistemas de simulação podem reproduzir situações reais. Gêmeos digitais conseguem criar representações de fábricas, edifícios e operações. Sistemas de inteligência artificial podem interpretar as informações produzidas nesses ambientes e orientar decisões.

Quando essa infraestrutura passa a se comunicar com máquinas físicas, a separação entre o digital e o real diminui.

Essa convergência ajuda a explicar por que tecnologias originalmente desenvolvidas ou aperfeiçoadas pela indústria dos games passaram a ocupar espaço em discussões relacionadas à indústria, engenharia, automação e robótica.

Durante anos, o setor trabalhou para tornar mundos digitais cada vez mais realistas.

Agora, parte das mesmas ferramentas começa a ser utilizada para simular, compreender e operar o mundo real.

Do protótipo à escala comercial

Para a Jiangsu Yunmu Intelligent Manufacturing Technology Co., Ltd., a parceria também abre uma frente de internacionalização e aplicação de suas tecnologias em diferentes contextos econômicos, e essa passagem será determinante.

Um robô operando dentro de um laboratório responde principalmente a questões de engenharia. Quando passa a atuar em uma empresa, escola, hotel, obra ou instalação industrial, precisa responder também a questões econômicas.

Quanto custa operar? Qual produtividade consegue entregar? Como funciona diante de situações não controladas? Qual será o custo de manutenção? Quais adaptações regulatórias, culturais e operacionais serão necessárias em cada mercado?

São essas perguntas que separam uma tecnologia impressionante de uma tecnologia escalável.

O contrato de cinco anos oferece às empresas uma janela para construir essas respostas progressivamente. Se os projetos iniciais demonstrarem viabilidade, a replicação das soluções entre diferentes países e setores poderá ampliar consideravelmente a dimensão da operação.

Considerando o horizonte contratual, a possibilidade de alcançar até 10 mil robôs, a expansão internacional e os diferentes projetos que poderão integrar a iniciativa, existe a perspectiva de construção de um negócio de grande escala econômica.

Qualquer projeção bilionária, entretanto, dependerá da capacidade de execução, adoção comercial e expansão efetivamente alcançada durante os próximos anos.

O verdadeiro teste começa agora

Grandes contratos tecnológicos frequentemente chamam atenção pelos números. Neste caso, cinco anos e uma operação projetada para até 10 mil robôs ajudam a dimensionar a ambição.

Mas o resultado da parceria será determinado pelo que acontecer depois da assinatura.

Transformar inteligência artificial e robótica em produtividade real, desenvolver aplicações adequadas a diferentes mercados, formar profissionais e construir modelos economicamente sustentáveis será o verdadeiro teste da iniciativa.

Para Manuel Zau Polo, o acordo também representa uma evolução da trajetória empresarial da No Competition Infinity Gaming Development Services.

Games conectam-se a ambientes virtuais. Ambientes virtuais transformam-se em plataformas de simulação. Gêmeos digitais reproduzem operações do mundo físico. Sistemas de inteligência artificial aprendem a interpretar esses ambientes. E, finalmente, máquinas passam a executar determinadas ações fora das telas.

Caso essa arquitetura alcance a escala pretendida, a parceria entre a No Competition Infinity Gaming Development Services L.L.C. e a Jiangsu Yunmu Intelligent Manufacturing Technology Co., Ltd. poderá ser avaliada por algo maior do que o número de robôs envolvidos.

O impacto estará também em sua capacidade de transformar tecnologia desenvolvida na Ásia em produtividade, conhecimento e novos negócios entre África e Oriente Médio.

Na nova corrida global da inteligência artificial, desenvolver a tecnologia é apenas o primeiro passo. O verdadeiro valor começa quando ela consegue encontrar escala, aplicação e impacto no mundo real.